sexta-feira, 11 de setembro de 2009

. A Passagem .

A Codificação era confusa, esparsa e tosca, só restava dúvidas e por mais que uma pequena fresta luminosa teimasse em passar pelo pequeno espaço lúdico de entrada, o seu corpo era robusto e eu precisaria impreterivelmente da senha; trespassar aquele homérico físico não era sequer concebível. Por mais que racionalizasse e tentasse me despir daquela veste romântica, os sentimentos de medo e apego eram botões em casas devidamente trocadas e surpreendetemente enraizadas. Me acometeu o desespero e em meio ao pranto essmurrei aquela porta; enquanto desejava ir de encontro ao que me impedia aquela massa rija, as lágrimas suplicavam por um só tanto de compaixão... as dobradiças daquela vigorosa madeira não se abalaram por um só segundo. Então recostei minha cabeça em seu torso enquanto tentava em desespero engolir meu soluço e meu orgulho.

domingo, 6 de setembro de 2009

. Lumus .

"Epifania" talvez?
Pois brotou como uma semente
mesmo com as raízes escassas
tomou de imediato seu assento

"Exaltação" cabe?
Foi quando as palavras tornaram-se moedas
e algumas possuiam o brilho d'um sorriso
repentino e sincero

Sim... "delírio"?
Como pôde um temperamento centrado
curvar-se diante d'aquilo que se tem de mais desparelhado
por joguete, diversão, deleite?

Seria: "sonho"?
Foi-se com o arrebol
e deixou pelo caminho
as frestas do astro que insistem
e brilham e ofuscam e machucam.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

. Propina .

Em meio ao choro

não permite
não cede
nem concede

Diz que não e ponto

então chantageia
ameaça
encurrala

É quando abre os braços...

me aperta
me oferece os lábios
e me leva

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

. Simples Assim .

Eu te amo!

O amo em camas alugadas
E nas horas a fazer nada
Onde sua companhia
personifica a semântica da palavra tudo

O amo nas palavras ditas
E n'aquelas em que teu olhar as traduzem

O amo no encaixe do teu colo
e dos nossos corações
Simples assim: eu te amo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Breve conto d'um sovina

Os olhos eram pequenos e opacos
Traziam muita história e um quê de melancolia
Abriu-se um sorriso sincero que não veio só.
Adiantaram-se palavras tímidas que o acompanharam e que logo se esvairam pelo vento
sem a menor resistência.
Sua cabeça ansiava uma resposta minha que não veio, escondeu-se.
Só percebi aquele corpo franzino e moribundo
que nada me pediu, em nada me incomodou.
Que se contentaria com uns tantos dentes à mostra e um pequeno gesto afirmativo.
Mesquinhamente, a privei dele, por não ultrapassar o muro de sua pobreza
privilegiei sua dor, não pude notar sua história, suas palavras
e fiz das lágrimas companheiras do meu egoísmo e miudeza.

terça-feira, 21 de julho de 2009

. própio alimento próprio .


Um após o outro
Degluto-os

incessantemente
deseperadamente

Ainda oco
insito

tenros
semi-vivos
tão meus
tão prórios

Não me sacia

mordo
rasgo
destroço
me consumo
e me encontro aos pedaços

quarta-feira, 8 de julho de 2009

I.L.Y.

O sol nascente da tua face
Onde está?

Traga-o novamente
Radiante e crítico

Dissipe estas nuvens

Ou vais tropeçar nos teus lábios
pelo fel de tuas palavras

E não é este meu anseio

Quanto mais desejo o seu bem
Mais egoísta me torno

Pois assim é teu sorriso
Golpe certo ao meu coração